Gestão Organizacional

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Gaiane Sabundjian

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As transformações contemporâneas na gestão pública têm ampliado o interesse por modelos administrativos que valorizem a participação, a autonomia e o engajamento dos servidores, especialmente em instituições de ciência e tecnologia caracterizadas por elevada complexidade organizacional e alto nível de qualificação profissional. Nesse contexto, compreender como os estilos de gestão são percebidos e internalizados, tanto em nível consciente quanto implícito, torna-se fundamental para o aprimoramento das práticas gerenciais e para a sustentabilidade institucional. Esta tese tem como objetivo analisar o impacto dos processos cognitivos na percepção dos estilos de gestão participativa e autocrática em uma instituição pública de pesquisa, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), articulando dimensões explícitas e implícitas da cognição organizacional. A fundamentação teórica apoia-se nos conceitos de cultura organizacional, sentimento de pertencimento, neuropsicologia cognitiva, vieses cognitivos e nos modelos de memória e processamento automático da informação, destacando a relação entre cognição, comportamento e tomada de decisão no contexto organizacional. Metodologicamente, o estudo adotou uma abordagem quantitativa e descritivo-analítica, utilizando questionário estruturado de percepção explícita e o Teste de Associação Implícita (TAI), operacionalizado pelo software FreeIAT. A amostra foi composta por servidores do IPEN selecionados por função estratégica (pesquisadores e tecnologistas), considerando critérios de amostra finita. Foram realizadas análises de confiabilidade (Alfa de Cronbach e Confiabilidade Composta), estatísticas descritivas e análises comparativas por perfil funcional, tempo de atividade, faixa etária e grau de formação. Os resultados evidenciaram alta confiabilidade dos instrumentos e uma predominância consistente de associações implícitas favoráveis à gestão participativa, mesmo em um contexto organizacional formalmente hierarquizado. Observou-se convergência entre atitudes explícitas e implícitas, indicando forte internalização cognitiva de valores associados à participação, autonomia e cooperação. As análises por subgrupos revelaram que fatores como tempo de serviço, formação acadêmica e trajetória funcional influenciam a intensidade e a estabilidade dessas associações, sem comprometer a tendência geral favorável aos modelos participativos. Conclui-se que os estilos de gestão são representados cognitivamente de forma automática pelos servidores, refletindo não apenas práticas organizacionais vigentes, mas também experiências institucionais acumuladas. Do ponto de vista da gestão pública, os achados reforçam a importância de modelos participativos como estratégia para fortalecer o sentimento de pertencimento, o engajamento e a sustentabilidade organizacional em instituições públicas de ciência e tecnologia.

Como referenciar
MARTINS, MARIA da P.S. Gestão Organizacional: o impacto dos processos cognitivos na tomada de decisão, inovação e bem-estar no ambiente corporativo público. Orientador: Gaiane Sabundjian. 2026. 242 f. Tese (Doutorado em Tecnologia Nuclear) - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN-CNEN/SP, São Paulo. DOI: 10.11606/T.85.2026.tde-30092026-165252. Disponível em: https://repositorio.ipen.br/handle/123456789/50231. Acesso em: 19 Oct 2026.
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