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    Validação do método de análise de exalação de 222Rn em solo de floresta tropical

    2026 - SANTOS, OMAR S.L.

    Este estudo investigou as características físico-químicas e radiométricas de solos de floresta tropical e sua relação com as taxas de exalação de 222Rn, utilizando amostras coletadas nas unidades geomorfológicas de Platô, Terraço e Campina do sítio experimental Amazon Tall Tower Observatory (ATTO), na Amazônia Central. Foram determinadas propriedades físico-químicas dos solos, incluindo pH, teor de umidade, matéria orgânica, densidade real, densidade aparente e porosidade. A caracterização radiométrica contemplou a determinação dos radionuclídeos 226Ra, 228Ra, 210Pb e 228Th por espectrometria gama, além das concentrações de urânio (U), tório (Th) e titânio (Ti) por análise por ativação neutrônica instrumental (INAA). Adicionalmente, foi investigada a distribuição geoquímica do 226Ra por meio de extração sequencial baseada no protocolo BCR. As taxas de exalação de 222Rn foram determinadas em condições controladas utilizando sistemas de câmara de acumulação acoplados ao detector RAD7, empregando diferentes configurações experimentais e condições de umidade. Os resultados evidenciaram diferenças expressivas entre os ambientes estudados, refletindo a heterogeneidade dos solos amazônicos. O Terraço apresentou as maiores taxas de exalação, enquanto a Campina apresentou os menores valores. O Platô, apesar de apresentar maiores concentrações de elementos radiogênicos, não exibiu as maiores taxas de exalação, indicando que a disponibilidade de radionuclídeos precursores, isoladamente, não explica o comportamento observado.Os resultados demonstraram que a exalação de 222Rn é controlada por uma combinação de fatores físicos, químicos e radiométricos, incluindo a distribuição geoquímica do 226Ra, a estrutura do solo, a porosidade e o teor de umidade. A influência da umidade variou entre os ambientes analisados, evidenciando a complexidade dos mecanismos que regulam a geração, emanação e transporte do gás no meio poroso. De forma geral, o estudo contribui para a compreensão dos processos que controlam a dinâmica do 222Rn na interface solo-atmosfera em ecossistemas tropicais, fornecendo informações relevantes para aplicações ambientais e para o uso do radônio como traçador natural em estudos atmosféricos na Amazônia.

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    Avaliação do uso de uma ferramenta de inteligência artificial no apoio à tomada de decisão e seu efeito na mortalidade hospitalar por sepse

    2026 - GUIMARAES JUNIOR, MILTON H.

    A sepse representa um desafio clínico global de alta prevalência e mortalidade, sendo que identificação e intervenção precoces podem otimizar desfechos. Neste contexto, ferramentas de inteligência artificial (IA) emergem como auxiliares promissores. O presente estudo investigou o impacto do Robô Laura®, um sistema de apoio à decisão clínico (SADC) brasileiro, que utiliza IA, na redução da mortalidade hospitalar por sepse. Também foi avaliada a percepção da equipe assistencial quanto à ferramenta, que foi implementada em um hospital filantrópico de alta complexidade. Essa SADC atuou através da monitorização de dados vitais e exames laboratoriais, gerando alertas exibidos em monitores específicos, segundo os critérios de resposta inflamatória sistêmica (SIRS). O estudo empregou uma metodologia mista. Para os desfechos clínicos, quantitativos, utilizou uma coorte retrospectiva e observacional para análise comparativa dos desfechos do período pré-Robô Laura com cada um dos 4 anos seguintes à sua implementação. Desfecho primário foi mortalidade hospitalar mensal por sepse e o desfecho secundário foi o número médio mensal de protocolos de sepse iniciados. Avaliação da equipe assistencial quanto o uso da ferramenta foi realizada através da aplicação de um questionário qualitativo. Para os desfechos clínicos, o estudo avaliou um período de 4 anos e 8 meses, abrangendo 6.910 protocolos de sepse. O questionário qualitativo foi aplicado a 54 profissionais (médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem). Os principais achados revelaram que, no primeiro ano após a implementação do Robô Laura®, houve uma redução estatisticamente significativa da mortalidade hospitalar por sepse, que foi de 31,44% para 21,64% (p = 0,0004). Essa melhora na mortalidade foi acompanhada um aumento estatisticamente significativo de 33% no número médio mensal de protocolos de sepse abertos (de 110 para 146 protocolos/mês, p < 0,0001), sugerindo um aprimoramento na identificação precoce de casos. Contudo, essa redução da mortalidade não foi sustentada, com as taxas retornando a patamares pré-implementação nos anos subsequentes (2º, 3º e 4º anos), sem significância estatística. Houve novo aumento, estatisticamente significativo, na média mensal do número de protocolos de sepse abertos no 4º ano. O aumento da complexidade dos pacientes internados durante a pandemia por COVID-19 (3º e 4º anos) foi um viés nas comparações desse período com os períodos anteriores. A avaliação qualitativa pela equipe assistencial demonstrou uma percepção globalmente positiva da ferramenta, que obteve notas elevadas para "utilidade no apoio às decisões clínicas" e "contribuição para os processos assistenciais". Entretanto, foram identificados pontos de fragilidade, com altas notas para o item sobrecarga gerado pelos alertas e notas menores para o item nível de atenção com os alertas e com 89% dos participantes relatando uma perda de atenção aos alertas ao longo do tempo, configurando o fenômeno da fadiga de alertas. Também foi apontado a necessidade de "ações de reforço e educação continuada", item que também obteve notas baixas na avaliação. Em conclusão, os resultados demonstram que a implementação de ferramentas de IA como o Robô Laura® pode efetivamente reduzir a mortalidade por sepse no curto prazo ao otimizar a identificação precoce. A sustentabilidade desses benefícios depende da assertividade dos chamados, a fim de se mitigar a fadiga de alertas, além da implementação de iniciativas de educação continuada e do feedback da equipe para aprimoramento adaptativo da ferramenta no ambiente clínico real.

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    Estudo da resistência à fadiga de estrutura trabecular da liga Ti6Al4V consolidada por fusão seletiva a laser em leito de pó

    2026 - SILVA, MAURICIO P. da

    Estruturas porosas, do tipo trabecular, da liga Ti6Al4V obtidas por fusão seletiva a laser em leito de pó (LPBF) possuem propriedades (físicas mecânicas, térmicas e elétricas) únicas que estão relacionadas à sua baixa densidade. A crescente demanda por estruturas trabeculares com propriedades controladas para diferentes aplicações, em especial na área da saúde, tem provocado estudos sobre o efeito de parâmetros na geração de defeitos do processo na LPBF e sua influência nas propriedades do consolidado. No entanto, esses vazios projetados na estrutura dos materiais levam ao início precoce das trincas de fadiga impactando a resistência à fadiga do consolidado. Portanto, é importante entender a influência dos vazios nas estruturas trabeculares em consolidados por LPBF e sua relação com a resistência à fadiga neste estudo. A partir de parâmetros testados de LPBF foi selecionada uma condição, que inclui hachura de 50 μm, potência de 150 W e velocidade do feixe laser de 500 mm/s), que gerou a maior densidade geométrica em seções contínuas. A partir desta condição foram confeccionados corpos de prova em estrutura trabecular com quantidade de vazios fabricados, em torno de 25%, isto é, com densidade de 75 % da densidade teórica. Nos consolidados foram realizados ensaios de superfície (medida de rugosidade), caracterização física (densidade geométrica), análise mecânica (microdureza Vickers, tração e fadiga) e análise da microestrutura (microscopia óptica e microscopia eletrônica de varredura com auxílio de espectrometria por energia dispersiva). A microestrutura obtida nas amostras fabricadas era composta pelas fases alfa e alfa'. Os resultados dos ensaios de tração nas estruturas trabeculares apresentaram redução da tensão de escoamento para (315 ± 20) MPa e de alongamento para 3,26%, em relação às amostras de seção contínua, que tiveram a tensão de escoamento de (881 ± 73) MPa e 7,41% de alongamento. Na resistência à fadiga sob ação de cargas trativas, na aplicação de uma mesma tensão de referência de 63 MPa, as amostras de estrutura trabecular apresentaram 300.000 ciclos sem falha, quando o ensaio foi interrompido, enquanto amostras de seção contínua atingiram 1.000.000 ciclos. A microdureza Vickers (HV 0,3) foi de (346,0 ± 2,8) HV nas linhas de amostras de seção trabecular, sendo inferior ao valor de (426,0 ± 7,2) HV das amostras de seção contínua. Amostras fabricadas com estrutura trabecular de densidade relativa de 75%, apresentaram módulo de elasticidade de (54,07 ± 1,26) GPa e podem facilitar o uso em contato com osso pela redução do stress shielding.

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    Metodologia para avaliação de doses de radiação ocupacional em exames radiográficos de extremidades distais de equino

    2026 - GOULART, MAURICIO E.

    O diagnóstico osteoarticular de equinos via raios X portáteis impõe desafios críticos à proteção radiológica devido à proximidade do Indivíduo Ocupacionalmente Exposto (IOE) e à prática comum de contenção manual. Este estudo avaliou as doses ocupacionais (H*(10) e Hp(0,07)), sob potencial fixo de 70 kVp, confrontando medições reais e simulações no Geant4. Os resultados revelam uma margem de segurança operacional extremamente estreita: em protocolos padrão (5 mAs e campo de 35 × 43 cm), o Nível de Investigação Mensal (1 mSv) é atingido com apenas 4 pacientes diários. Em cenários de alta demanda e utilização de incidências oblíquas (cenário de maior risco), o limite anual de investigação (6 mSv) seria excedido com um fluxo de apenas 1,63 animais/dia, evidenciando que serviços de grande porte operam no limiar do risco radiológico na ausência de EPIs e extensores. A dose nas mãos do IOE mostrou-se oito vezes superior à de corpo inteiro, atingindo 18,82 µSv por disparo. Por outro lado, a redução do mAs e a colimação restrita (18 × 24 cm) reduziram a dose em até 81%, ratificando a eficácia do princípio ALARP. Conclui-se que a contenção manual sem blindagem é insustentável perante as normas da ANSN, sendo imperativa a adoção de barreiras físicas e acessórios de posicionamento para evitar que o IOE exceda os limites ocupacionais vigentes.