Comparação entre anticorpos intactos e fragmentos (Fab e sdAb) voltados para a imagem molecular de HER2 positivo

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Emerson Soares Bernardes

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O câncer de mama HER2 positivo representa cerca de 20-30% dos casos invasivos e caracteriza-se por comportamento agressivo, alta taxa de metástases e pior prognóstico clínico. Embora o diagnóstico precoce seja essencial, métodos convencionais como mamografia e biópsia apresentam limitações, sobretudo em casos metastáticos ou de difícil acesso anatômico. Nesse cenário, os radiofármacos direcionados ao HER2 surgem como alternativa promissora para a imagem molecular de alta precisão, utilizando anticorpos monoclonais e seus fragmentos. Anticorpos inteiros, como trastuzumabe e pertuzumabe, têm sido empregados com sucesso em abordagens terapêuticas e teranósticas, mas suas limitações farmacocinéticas, como meia-vida prolongada e necessidade de janelas de imagem tardias, impulsionaram o desenvolvimento de fragmentos menores (Fab e sdAbs). Estes apresentam melhor penetração tumoral, rápida depuração e possibilitam aquisição de imagens precoces com menor dose de radiação e melhor relação sinal/fundo. Esta revisão sistemática analisou 29 estudos publicados entre 2015 e 2025, comparando anticorpos inteiros e fragmentos anti-HER2 radiomarcados no diagnóstico do câncer de mama HER2 positivo. Foram avaliadas estratégias de marcação, perfis farmacocinéticos e desempenho em imagem molecular. Os resultados demonstram que anticorpos inteiros, quando marcados com radionuclídeos de meia-vida longa como 89Zr e 177Lu, proporcionam boa retenção tumoral e aplicabilidade terapêutica. Por outro lado, fragmentos, especialmente sdAbs marcados com 18F ou 68Ga, oferecem imagens de alta resolução em janelas de 30 minutos a 2 horas, sendo ideais para diagnóstico rápido e dinâmico. Apesar do progresso técnico, a maioria dos estudos permanece em fase pré-clínica, com escassez de ensaios clínicos robustos. Ainda assim, a tendência de utilização de fragmentos para aplicações diagnósticas e de anticorpos inteiros para estratégias terapêuticas ou teranósticas é evidente. Conclui-se que a escolha da biomolécula, do radionuclídeo e da estratégia de marcação deve ser orientada pela finalidade clínica específica. O fortalecimento de políticas públicas, investimentos em infraestrutura e expansão da pesquisa clínica são cruciais para consolidar a imagem molecular como ferramenta de precisão no diagnóstico e manejo do câncer de mama HER2 positivo.

Como referenciar
SOUZA, FERNANDA V. de. Comparação entre anticorpos intactos e fragmentos (Fab e sdAb) voltados para a imagem molecular de HER2 positivo: revisão sistemática das abordagens, vantagens e desvantagens. Orientador: Emerson Soares Bernardes. 2025. 97 f. Dissertação (Mestrado em Tecnologia Nuclear) - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN-CNEN/SP, São Paulo. DOI: 10.11606/D.85.2025.tde-16062026-153829. Disponível em: https://repositorio.ipen.br/handle/123456789/50034. Acesso em: 30 Jun 2026.
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