Análise da viabilidade de reatores modulares de pequeno porte no Brasil baseada em múltiplas vertentes de competência
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Autores IPEN
Orientador
Claudia Giovedi Motta
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Resumo
A crescente demanda global por fontes de energia limpa e segura faz com que os Reatores Modulares de Pequeno Porte (SMR) sejam uma alternativa promissora para viabilizar a transição energética e a descarbonização. No contexto brasileiro, detentor de um programa nuclear histórico e de grandes reservas de urânio, a adoção dessa tecnologia enfrenta desafios que transcendem a competência técnica. O presente trabalho tem como objetivo analisar a viabilidade da implementação de projetos de SMR do tipo PWR (Pressurized Water Reactor) no Brasil, utilizando como referência os seis critérios de maturidade estabelecidos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): licenciamento, localização, financiamento, cadeia de suprimentos, engajamento e combustível nuclear. A metodologia adotada combinou a análise documental para diagnosticar o estágio de maturidade nacional em cada critério com a aplicação do método de Análise Hierárquica de Processos (AHP), visando quantificar a percepção de especialistas do setor sobre a relevância desses critérios. Os resultados indicam que o Brasil possui competências avançadas no ciclo do combustível e um arcabouço regulatório robusto para tecnologias já consagradas licenciadas no Brasil. Entretanto, identificaram-se fragilidades críticas associadas aos critérios de financiamento e cadeia de suprimentos, classificados, no presente estudo como de maturidade inicial. A análise via AHP corroborou esse diagnóstico, apontando o financiamento como o critério de maior prioridade para a viabilização dos empreendimentos, seguido pelo licenciamento. Conclui-se que a implantação de SMR no Brasil é tecnicamente viável, mas depende fundamentalmente da estruturação de mecanismos financeiros robustos, da modernização regulatória para projetos desse tipo e do fortalecimento da base industrial nacional.