Produção de microesferas de acetilacetonato de hólmio destinadas ao tratamento do carcinoma hepatocelular via radioembolização
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2023
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CONGRESSO BRASILEIRO DE CERÂMICA, 67.
Resumo
O hepatocarcinoma ou carcinoma hepatocelular (CHC) é o câncer primário do fígado, ou seja, o câncer
derivado das células epteliais do fígado – os hepatócitos. Representando 80% dos casos de acordo com
dados da IARC (International Agency for Research on Cancer), com altos índices de mortalidade. Somente
no Brasil, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer, publicado pelo INCA (Instituto Nacional do Câncer),
foram registrados 10.764 óbitos em 2020, com maior incidência entre indivíduos do sexo masculino (57%).
Estes altos índices estão relacionados a fatores como a apresentação tardia dos principais sintomas,
comorbidades e as longas filas de espera para transplante, permitindo que apenas 10% dos pacientes
recebam terapias curativas, ou até mesmo que sejam eletivos para procedimentos cirúrgicos ou
transplante. Dentre os possíveis tratamentos empregados em estágios mais avançados da doença, a
radioembolização tem se mostrado promissora. O termo radioembolização define os procedimentos em
que microesferas radioativas injetadas intra-arterialmente são usadas para radiação interna, também
chamada radioterapia interna seletiva ou SIRT, é uma forma de braquiterapia para tumores hepáticos, em
que a fonte de radiação acessa a rede de vasos tumorais após serem injetados na artéria hepática. Para que
estas microesferas possam ser utilizadas em terapia com radionuclídeos devem atender, rigidamente, às
seguintes propriedades: estabilidade mecânica para que suporte o transporte pelos capilares sanguíneos;
estabilidade química para resistir à eluição de elementos radioativos não sofrer radiólise; distribuição
estreita e adequada de tamanho (entre 20 ?m e 60 ?m) para se alojar nas arteríolas do tumor; densidade
adequada para evitar sedimentação, e para que facilite a marcação com radionuclídeos; emissão de
partículas beta de alta energia e meia-vida física intermediária (dias). Para atender tais exigências,
microesferas de acetilacetonato de hólmio (Ho(AcAc)3) foram produzidas a partir do método sol-emulsão-
gel. Neste processo, uma fase solúvel aquosa, dispersa em uma fase oleosa apolar, originou uma emulsão
com alta tensão interfacial entre a fase aquosa e a fase oleosa. A fase aquosa foi preparada com a
dissolução de cristais de Ho(AcAc)3 (sintetizados a partir de cloreto de hólmio) em clorofórmio formando
uma solução que foi gotejada em solução de PVA 2%. A mistura foi mantida em agitação contínua por 24h,
a 35°C, sob fluxo de ar comprimido. As microesferas foram então coletadas, caracterizadas por MEV, DRX,
DSC, FTIR e FRX. Após as caracterizações preliminares as microesferas foram irradiadas no reator de
pesquisas IEA-R1 do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) e analisadas por espectroscopia
gama. O material produzido mostrou-se promissor para o prosseguimento dos estudos de durabilidade
química, distribuição granulométrica e densidade.
Como referenciar
CURCIO, A.P.; GENOVA, L.A.; GENEZINI, F.A.; MENGATTI, J. Produção de microesferas de acetilacetonato de hólmio destinadas ao tratamento do carcinoma hepatocelular via radioembolização. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CERÂMICA, 67., 12-15 de junho, 2023, Florianópolis, SC. Resumo... São Paulo, SP: Associação Brasileira de Cerâmica - ABCERAM, 2023. Disponível em: https://repositorio.ipen.br/handle/123456789/48978. Acesso em: 09 Apr 2026.
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