Estudo e análise dos procedimentos de raio-X realizados em recém-nascidos prematuros internados em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal
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Autores IPEN
Orientador
Carlos Alberto Zeituni
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Resumo
A utilização de radiografias é uma prática amplamente difundida em unidades de
terapia intensiva neonatal (UTIN) devido à necessidade de monitoramento contínuo
de condições respiratórias, posicionamento de dispositivos e avaliação de
complicações clínicas. Contudo, a exposição acumulada à radiação ionizante em
recém-nascidos, especialmente prematuros, permanece uma preocupação
relevante, considerando sua maior radiossensibilidade e o potencial risco de efeitos
estocásticos ao longo da vida. Este estudo teve como objetivo analisar a frequência
de radiografias realizadas em uma UTIN, caracterizar sua distribuição e comparar os
achados com a literatura internacional. Trata-se de um estudo observacional
retrospectivo, no qual foram avaliados recém-nascidos internados ao longo de 12
meses. Foram coletadas informações referentes ao total de radiografias por
paciente, tempo de internação e características clínicas associadas. Os resultados
mostraram que a média de radiografias por recém-nascido foi de 10,72, com
mediana de 5,0 e amplitude de 0 a 115 exames, revelando grande variabilidade
individual e distribuição assimétrica. Observou-se forte correlação entre o número de
radiografias e o tempo de internação, demonstrando que pacientes com maior
gravidade clínica ou internações prolongadas concentram substancialmente mais
exposições. A taxa semanal média foi de 1,84 radiografias por paciente. Quando
comparados com estudos internacionais, os valores encontrados situam-se dentro
da variação global descrita na literatura, sendo inferiores aos observados em
populações de muito baixo peso, mas compatíveis com UTINs que adotam práticas
de solicitação mais conservadoras. Os achados reforçam a necessidade de
estratégias de otimização da prática radiológica, especialmente voltadas aos recémnascidos mais vulneráveis. A adoção de protocolos baseados nos princípios
ALARA/ALADA, ampliação do uso da ultrassonografia como método de primeira
linha e implementação de programas institucionais de stewardship radiológico
representam caminhos viáveis para reduzir exposições desnecessárias. Conclui-se
que, embora a UTIN estudada apresente padrões alinhados à literatura
internacional, há oportunidades significativas de aprimoramento para garantir maior
segurança radiológica aos pacientes neonatais.Advances in neonatal intensive care have substantially increased the survival of
preterm and critically ill newborns; however, this progress has also intensified the use
of diagnostic imaging, especially bedside radiography. Considering the potential risks
associated with cumulative exposure to ionizing radiation in early life, understanding
local radiographic practices and comparing them with international patterns is
essential for ensuring safe and evidence-based neonatal care. This study analyzed
the frequency of radiographic examinations performed in a Neonatal Intensive Care
Unit (NICU) and examined their relationship with clinical characteristics and length of
hospital stay. A retrospective analysis was conducted, evaluating all radiographs
performed during hospitalization. The results revealed a mean of 10.72 radiographs
per newborn, a median of 5.0, and a broad range from 0 to 115 examinations. The
weekly rate was 1.84 radiographs per patient, and a strong positive correlation was
found between length of stay and total number of exams. When compared with
international literature, the findings aligned with global patterns reported in NICUs
from high-income countries, particularly regarding the asymmetric distribution of
radiographic use and the presence of a small subgroup of infants responsible for
most imaging. Studies involving very-low-birth-weight infants, such as Park et al.
(2018) and Gislason-Lee et al. (2021), showed substantially higher medians and
cumulative exposures, whereas the maximum values observed in this study were
comparable to those documented in critically ill preterm infants worldwide. Despite
technological advances associated with digital radiography and radiation-reduction
campaigns such as Image Gently®, optimizing practices remains necessary,
especially for infants with prolonged hospitalizations. The findings underscore the
importance of adopting strategies such as evidence-based imaging protocols, greater
use of lung ultrasound, and structured radiation-protection programs to minimize
unnecessary exposure. Overall, this study demonstrates that the radiographic profile
of the evaluated NICU is consistent with international standards while highlighting
opportunities to enhance radiological stewardship and neonatal safety.