Análise antivenômica de segunda geração para avaliação do perfil imunológico de venenos elapídicos
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Autores IPEN
Orientador
Patrick Jack Spencer
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Resumo
Apesar de representarem pequena parcela dos acidentes ofídicos ocorridos no Brasil, as serpentes do gênero Micrurus apresentam grande importância médica e epidemiológica, devido à elevada letalidade de seu veneno, que tem como componentes predominantes as fosfolipases A2 (PLA2) e as toxinas three finger (3FTx) neurotóxicas. O único tratamento específico para o envenenamento é a administração de soro antielapídico, cuja formulação brasileira se baseia nos venenos de M. corallinus e M. frontalis. Esse produto, contudo, apresenta reduzida eficácia na neutralização do veneno de corais que habitam outras regiões do país além do Sudeste. Estudos anteriores mostraram a capacidade de um soro comercial pentavalente, baseado em elapídeos australianos, de neutralizar in vivo os venenos de Micrurus que não são neutralizados pelo soro brasileiro. Neste trabalho, foi avaliada a imunorreatividade de ambas a formulações frente ao veneno de M. lemniscatus, utilizando-se da plataforma de antivenômica de segunda geração, baseada na combinação de cromatografia por imunoafinidade com análise proteômica por espectrometria de massas e aplicação de ferramentas da bioinformática. Dessa forma, puderam ser caracterizadas as toxinas reconhecidas por ambos os soros, bem como as toxinas que conferem ao soro australiano a capacidade de neutralização mais abrangente. Os ensaios de antivenômica foram realizados através de duas marchas analíticas. Na primeira, o veneno de M. lemniscatus foi aplicado em coluna com soro brasileiro (BUT) acoplado; a fração cromatográfica não retida foi então injetada em coluna com soro australiano (CSL). Na segunda marcha, o veneno foi aplicado separadamente nas colunas BUT e CSL. Verificou-se que entre um quarto e metade do proteoma do veneno de M. lemniscatus consiste de proteínas não atribuídas a toxinas. Considerando-se apenas o conjunto de toxinas no veneno, predominam 3FTx, L-aminoácido oxidases (LAO), PLA2 e inibidores de proteases. Dentre as toxinas reconhecidas por ambos os soros, predominam as 3FTx, igualmente abundantes nos venenos de M. lemniscatus, M. frontalis e M. corallinus. O reconhecimento exclusivo pelo soro australiano abrangeu 3FTx, PLA2, LAO, lectinas, inibidores de proteases do tipo Kunitz, serinoproteases, disintegrinas e metaloproteases, toxinas que conferem ao soro australiano capacidade de neutralização mais abrangente em relação ao soro brasileiro. O padrão de reconhecimento exclusivo pelo soro australiano é caracterizado por toxinas homólogas presentes tanto em Micrurus que habitam a América do Norte e Central e bacia amazônica, quanto em elapídeos asiáticos e da Oceania. Portanto, a abrangência limitada do soro brasileiro pode ser devida à ausência daquelas toxinas da mistura antigênica utilizada na produção do soro. Outro fator limitante da abrangência é a reduzida imunogenicidade das toxinas 3FTx, exemplificada pelo não reconhecimento da Frontoxina I de M. frontalis pelo soro brasileiro. Há indícios de que a diferença entre os soros australiano e brasileiro quanto à capacidade de soroneutralização se deva principalmente as suas composições qualitativas.
Como referenciar
FELGUEIRAS, CARLOS F. Análise antivenômica de segunda geração para avaliação do perfil imunológico de venenos elapídicos. Orientador: Patrick Jack Spencer. 2025. 186 f. Tese (Doutorado em Tecnologia Nuclear) - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN-CNEN/SP, São Paulo. DOI: 10.11606/T.85.2025.tde-13112025-154014. Disponível em: https://repositorio.ipen.br/handle/123456789/49540. Acesso em: 09 Apr 2026.
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